Da série: coisas que eu queria ter escrito

Achei um blog hoje que está me inspirando a voltar a escrever aqueles textos profundos de outrora… Mas, enquanto minha inspiração não volta, um texto que eu teria escrito hoje… Da excelente escritora Michele trivelin, do Diário de Marin Jones..

Sempre ouvi que sem beijo de boa-noite não se dorme. Jamais, em hipótese alguma, podemos dormir brigados. Perguntei à minha avó, um dia, por quê? E ela me disse que, de repente, o destino traiçoeiro feito uma raposa, poderia nos levar dessa pra outra dormindo e nunca teríamos falado dos nossos enganos, nem dado um último abraço ou dito as palavras derradeiras. Desde então, apenas uma vez dormi com esse medo eterno de o amanhã não chegar para eu me desculpar. Orgulho bobo que impede a gente de se virar pro outro e dizer o quanto precisamos dele, o quanto nossa felicidade anseia pelo seu sorriso, o quanto nossos dias são melhores desde que ele se fez presente. E que presente! Mas eu dormi. Sem fazer as pazes, sem pedir perdão, sem o  tal beijo. Nada. Apenas o medo, meus pés gelados e eu.

Na manhã seguinte eu disse tudo o que havia engolido até então. Mas percebi que, embora aceito, o pedido havia perdido seu prazo de validade. Como se expirasse, se perdesse o sentido. Desculpas devem ser dadas no exato momento em que o erro é cometido, que as palavras mais erradas são ditas, que o amor não é demonstrado. Desculpas são urgentes, imediatas, pra não dar tempo da dor grudar na alma e virar cicatriz que dura para sempre.

Tinha razão minha avó. O beijo de boa-noite é sagrado. Mas não porque posso perdê-lo para o destino trágico e nunca mais vê-lo, não! É porque preciso do seu calor para continuar vivendo e do seu sorriso largo aquecendo meu coração.

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