Dia triste

Como umbandista, sei que no dia de hoje tenho que pensar em você com pensamentos de amor… pedindo que Deus te tenha ao seu lado, pedindo que seu caminho esteja cheio de luz, de amor, de crescimento espiritual…. Tenho que entender que as coisas são como são, que nossos pedidos nem sempre são atendidos da forma que a gente quer e que Deus sabe exatamente o que faz…
Mas como neta, filha e huma

na…. só posso dizer que saudade… e como eu queria que você estivesse aqui….
Mas, não posso duvidar nem por um minuto sequer que sua presença existe, mesmo que eu não possa te ver e te ouvir como outrora…. E, como umbandista, digo: Se cuida aê. Fique bem. Fique em paz. Pode crer que a gente está indo…. E até breve.
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… Mas aprendendo a jogar”

Sempre vamos ter que abrir mão de uma coisa, por outra…. sempre vamos ter que deixar algo ir, para algo novo (e melhor) chegar…. Temos que abrir mão de crenças e valores para criar novas perspectivas…. temos que aprender que a vida sempre joga do nosso lado, mas as vezes não do jeito que a gente quer….

Às vezes cansa ter que aprender o tempo todo… muitas vezes desejo que essa escola da vida pudesse ser como aquele colégio láááá atrás, onde eu podia virar a cara pra parede e não levantar num dia de chuva. “Me recuso a aprender hoje!” Mas na vida real não dá. As lições são diárias e não dá pra faltar. E não há aprovação progressiva. Bom esses sistema educacional astral….

Posso até ter ficado dura e pessimista em algum lugar do caminho, mas acho que nem todo mundo é feliz o tempo todo, assim como ninguém é triste o tempo todo. Ninguém é legal o tempo todo, ninguém é bonito o tempo todo, nem feio. Ninguém é 100% nada!

E a gente só consegue chegar ao final do dia inteiro em nossos menos de 100% se entender isso.

Sendo bem, bem, bem brega e citando Vanusa,
“Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar”

Tâmo aqui pra isso!

A Umbanda e Eu

Me lembro de como entortava o nariz para a umbanda antes de conhece-la. Freqüentava a Federação Espírita de São Paulo e por muitas vezes me mandaram começar o curso de mediunidade pois eu ‘precisava trabalhar esse dom’. No final das contas, nunca ia.

Sempre tive fé mas nunca fui de rezar muito. Na minha cabeça, nossas atitudes falam por nós. Conheço tanta gente que reza de manhã, a tarde e a noite, mas não honra uma palavra sequer de suas orações…

Um dia conheci um centro mesa branca perto de casa. Muita gente do bairro freqüentava… Apesar de seguirem o mesmo jeitão da Federação, ao final das palestras e dos passes magnéticos nas salinhas de luz azul, uma das médiuns da casa incorporava uma índia chamada Cheiro de Flor. Eu achava lindo ver aquela entidade dando um brado ao chegar em terra e falar com jeito de índia.. ela passava de pessoa em pessoa, às vezes dizendo algo impactante, às vezes apenas derrubando suas pétalas embelezadas de Tupã.

Ao mesmo tempo, eu nunca aceitei bem a umbanda e o candomblé. A começar que eu colocava tudo no mesmo saco, como muita gente faz. Não entendia e criticava o fato dos guias fumarem. Não entendia guias. Tinha horror aos atabaques. Pois é.

Por duas vezes, movida pela curiosidade fui a tarólogas. Uma delas, me disse coisas que eu não queria ouvir e a taxei de charlatã. A outra queria me cobrar R$ 250 pra acender velas de mel e trazer de volta meu grande amor. Ah, tá.

Um dia, uma amiga me convidou pra conhecer um outro centro dela. Disse que era kardecista. Sem atabaques, mas com alguns médiuns com guias e muitas puxadas de carga. Lá eles disseram muitas coisas que eu queria ouvir…. Ao mesmo tempo, minha mãe, em uma de suas andanças pela Vila, ouviu certo domingo barulho de atabaques. Macumbeira que sempre foi, entrou, gostou e vendo meu sofrimento me arrastou pra lá. Me apaixonei ao ouvir os sons dos atabaques, uma voz maravilhosa de um ogã na curimba e até me esqueci do preconceito que tinha com os cachimbos.

Porém, lá eles não me diziam nada sobre o amor perdido. Mandavam eu cuidar de mim, me fortalecer, crer, etc. Não me diziam nada de extraordinário e eu até achava que eles não diziam nada que eu já não soubesse, mas não concordava. Não era bem o que eu queria ouvir, mas me sentia bem.

Frequentei os dois ao mesmo tempo por algumas semanas, até que o primeiro centro entrou em férias e eu me vi freqüentando apenas a casa que hoje é a minha. Coincidência? Duvido.

Sentava em frente a Vó Augusta e chorava até desidratar a falta daquele que eu achava que era meu único e verdadeiro amor. Um certo Lorinho, atabaqueiro da curimba me dava papel para enxugar as lágrimas. Eu até via a Vó Augusta rindo pro Pai Simão, que sentava perto, mas não entendia. Hoje até entendo. rs….

O tempo foi passando, eu fui melhorando…. Houve uma festa junina beneficente promovida pela casa e lá fui eu, mãe e primos jogar bingo. Ali estreitei os laços com o tal Lorinho, que me comprou do meu primo por dois quentões e uma coxinha (mas isso é outra história)…

Namorar alguém da casa me aproximou mais das pessoas e dos trabalhos, inevitavelmente. Cansei de ‘passar mal’ durante as giras, enquanto espetava minha vez de ser atendida. Sempre quis trabalhar…. achava lindo aquelas pessoas servindo de aparelhos para os guias e fazendo caridade. Achava lindo ver as pessoas saindo mais felizes dos bancados dos pretos-velhos.

Nunca imaginei que os médiuns fossem privilegiados por serem médiuns e sempre achei lindo o ritual e a caridade, e não entendia o porque nunca tinham me chamado pra fazer parte das giras, sabendo que sensibilidade – lógico – eu tinha!

Apesar de parecer metida, sou legal. Eu não entendia como é que os guias não viam toda a minha vontade de ajudar e de fazer o bem pras pessoas….

Quando entendi que mesmo sem querer eu alimentava uma certa vaidade emn relação a mediunidade e ao trabalho (ainda que uma vaidade branca) e passei a trabalhar esse sentimento, quando menos esperava aconteceu.

Fui pra curimba, aproveitar os dotes musicais dados por Deus, para fazer aquela gira ainda mais forte e bonita. Quando me colocaram pra rodar a coisa pegou pro meu lado. Só estando lá no meio é que a gente percebe que não entendia nada de nada, antes. Pelo menos comigo foi assim….

Hoje, alguns meses de trabalho, algumas festas depois, uma quaresma depois, me sinto muito, muito pequena como médium, mas com uma vontade enorme de aprender cada vez mais. Aprender a servir da forma correta os guias. Aprender a ajudar as pessoas pela caridade pura. Aprender o que é ter paciência e aprender o que é crer.

Para se crer, é necessário querer crer, pra começar. O exercício da fé não é fácil. Muitas vezes as aflições da vida, das pequenas as grandes, nos tiram do prumo, nos revoltam… Nossa, como é difícil simplesmente acalmar o coração e deixar as coisas fluírem.

Um terreiro é feito de pessoas e acho normal que hajam discordâncias em alguns momentos. Se a gente fosse tudo santo, eram as nossas imagens que estariam em cima do congá, não as dos orixás. Mas, com todos os problemas que a vida em grupo possa acarretar, o mais importante é ter a certeza de que, quando um precisar, toda uma corrente (encarnada e desencarnada) vai estar lá por nós.

E isso causa inveja. Causa inveja porque a seleção natural da vida expulsa as pessoas que não pertencem realmente ao grupo. E os excluídos desdenham, mas querendo comprar…..

Eu acredito em inveja e em sentimentos negativos. A força do pensamento, para o bem ou para o mal, é uma coisa muito forte. Acredito sim que o ‘Mal’ possa estar por cima da carne seca. Mas só por alguns momentos. Só enquanto a lição não é aprendida por todos. Só enquanto Deus permitir e se Ele permite, é porque tem seus motivos. Isso é fé. Não ‘pollyanismo’, mas fé.

A fé que nos faz ter certeza de que em algumas horas, ao botar o pé pra dentro daquele terreiro, vestidos de branco, alguém maior vai fazer algo por nós e nos aliviar. A fé que nos dá a certeza de que não estamos sozinhos em momento nenhum (dá até medo as vezes, principalmente quando você tem um corredor muito sinistro na sua casa e seus guardiões ficam o tempo todo ali, a postos!).

É a fé que nos faz fincar os pés na areia, mesmo quando o corpo quer ir embora, mesmo quando o corpo está cansado. É a fé que nos faz perdoar em minutos uma resposta mais mal educada de um, ou uma falta de reconhecimento de outro.

É a fé que no faz, no meio da tarde, dirigir um pensamento ao congá pedindo proteção quando algo parece nos ameaçar. É a fé que os faz gastar um dinheirinho que às vezes nem podíamos, pra fazer uma guia, porque assim foi pedido. É a fé que nos faz amar uma pessoa que nem conhecemos direito. É a fé que nos faz nos preocupar com alguém da assistência que vimos mal.

É a fé que nos faz saber quando aquela pessoa na sua frente não é aquele médium que às vezes não temos muita afinidade, mas sim um índio enorme com um arco e uma flecha nas mãos, ou um senhor negro, arqueado, magrinho, fumando cigarro de palha.

É a fé que faz nosso sangue correr nas veias e nosso coração bater forte, quando os poros se abrem, os pelo dos braços arrepiam, a espinha fica gelada e o pescoço quente. Só ela.

E é a fé que me dá a certeza de que com a nossa Lei não há! Porque onde se faz um trabalho sério, com amor e com verdade, a proteção divina age em todos os momentos. E se, em algum momento a fé falha, a bateria acaba, enquanto ela carrega, temos irmãos de fé para nos escorarmos até que a recarga esteja completa.

Avante, filhos de Fé! Com a nossa Lei, não há!

De volta e em dilema…

A natureza chama. O marido clama. E cá estou eu pensando em engravidar. Quer dizer: pensando em parar com o remédio, eliminar as barreiras e deixar na mão de Deus, como disse meu amigo Guilérme.

Eu, que nem pensava em casar, agora penso em ser mãe! Veja só. Eu tenho bons exemplos perto. Vejo o Markinhos da Bele e do Negão, vejo o Victor da Bianca, vejo a linda Annalu da Anna e do Ale, vejo a Renata dando conta de gêmeos, a Kris e seu linducho, a PV… nem precisa pensar muito!

Ah, claro que precisa. Sou neurótica e estou pensando em um ‘problema’ por dia. Na sexta foi o dia de pensar na vida profissional. Trabalho a quase quatro anos no mesmo local e acho que todas as mães passam pela preocupação da volta pós-licença. Afinal, são meses longe do trabalho. A estabilidade obriga que seu chefe te engula por mais 5 meses (6 dependendo da convenção), então, na pior das hipóteses, é nisso que temos que pensar. Mas, o que me deixou tranqüila foi pensar que, caso haja uma mudança de trabalho no próximo ano – afinal, nunca ninguém está livre disso – terei que esperar mais alguns anos para engravidar (porque e engravidar com pouco tempo de empresa é chato – terei que esperar mais tempo e não é o caso. Momento profissional: ok!

Lorinho diz que ‘não quer ser avô, que já está com 30. Eu do lado de cá, penso que 26 é uma boa idade e que quanto mais velha a gente fica, aumentam os riscos de problemas, etc . Idade: ok!
Já ouvi “ahhhhhhh, com tão pouco tempo de casada… curte mais um pouquinho”…. Primeiro: o que eu perderia por estar grávida nos próximos nove meses? Pular de pára-quedas? Eu passo. Baladas? Já passei. Estou esquecendo algo?
Segundo: Marido quer muito. Eu também quero, apesar da racionalização e do medo…. Momento pessoal: ok

Meu único problema atende por: cocô. E vômito. Sério. A dúvida é: será que sou capaz de olhar para uma fralda cheia de bosta de neném e trocá-la? Ou será que consigo ficar firme diante de uma bela vomitada azeda? As mamães que me perdoem, mas é o lado racional da coisa… Será? Existem crianças auto-limpantes? Momento cocô: oh, dúvida cruel!

Eu e minha mania de listas prós e contras…

Tá phoda

Assim, com PH…

(Espero que) Pra encerrar a péssima fase, Lorinho foi assaltado ontem… no mesmo lugar que eu fui há uns tempos…. levaram nextel, carteira, uma quantia em dinheiro… Pelo menos ele está bem, nada fizeram a ele…

Tão testando a minha fé e forte eu já provei que sou…. e tenho as costas quentes!

A gente até balança, mas não cai!
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sendo com praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pé não me alcancem
Tendo mãos não me pegue não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançara
Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge