Bobão

Estive conversando com o dirigente da casa que freqüento atualmente para tirar algumas dúvidas com relação a posições adquiridas. Nossa conversa acabou tomando um rumo distinto, certo momento, e indo parar em um lugar que acho importante compartilhar aqui com vocês.

Falávamos sobre os “aparecidinhos” dentro de um centro. Acredito que, embora nossa doutrina espiritualista pregue a humildade e a servilidade como formas de aprendizado e evolução espiritual, sempre exista aquele (ou aqueles) sujeito que goste de um destaque a mais, de uma atenção a mais, ou que “encontrem a luz” miraculosamente, de uma hora para a outra se tornam sábios, só porque conseguiram adquirir uma posição diferente dentro do terreiro. Essa não é a primeira casa da qual tomo parte dos trabalhos, tão pouco a primeira casa que visito, e sempre vejo essa figurinha, fácil de distinguir pelo jeito de se portar.

Durante a nossa conversa essa figurinha também apareceu. Não personificada, mas em pensamento, diante de uma dúvida. E a conversa nos levou a palavra que dá o título ao texto: Bobão.

Seguindo a linha de pensamento do dirigente, a Umbanda é feita daqueles que dão. Não dos que recebem. Se você tem muito pra dar e dá pouco disso, você não poderá se comparar com aquele que tem pouco para dar, mas dá tudo o que pode. Pode ser que o pouco dele seja muito maior que o muito do outro, mas ainda assim, quem é merecedor nessa causa?

Existem aqueles dentro de um terreiro que gostam de exibir o poder que tem. Que dizem que são milagreiros, que seu Exu é o guardião do inferno todo, que é o que vai mais baixo nas esferas para resgatar os que se arrependeram, que ele sozinho sustenta a corrente mediúnica. Esquece-se, porém, que a corrente se chama corrente porque não é feita de um só elo. Que o Exu vai mais fundo porque conta com auxílio de seus trabalhadores amigos, de sua falange. Que pequenos milagres acontecem graças a interseção de uma série de guias de luz que fazem a energia chegar, através de filtros e mais filtros, puras até nós. E que ele é, como o próprio nome diz, só o meio para que isso aconteça. Só o coador para que o pó e a água se transformem em uma deliciosa xícara de café.

Enquanto esse amigo está lá, se vangloriando, seus amigos encarnados e desencarnados estão observando. E a seleção natural fará com que ele fique para trás, pois quem está satisfeito em contar vantagem não precisa de realizações para contá-las. Instintivamente as pessoas acabam se afastando dela, deixando-a de lado, olhando-a de longe e pensando: que bobão.

Achei engraçado, sobre tudo, que essa expressão saiu da boca do dirigente. Temos nele uma pessoa distante, não por antipatia, mas por necessidade: dentro de um mundo de 300 médiuns, não dá para ser íntimo de cada um. O vemos lá, na frente dos trabalhos, com o semblante sério, o sorriso contido, de repente, por um assunto qualquer, ele me solta essa expressão entre sorrisos: Bobão. A surpresa foi suficiente para, até, calar a risada. Mas de qualquer forma, entendi onde ele queria chegar e espero que vocês entendam onde eu quero chegar. Não sei qual é a aparência que tenho para vocês, se pareço um rapaz duro, de um humor instável e constantemente bravo, ou se um rapaz alegre e vivaz mas, de qualquer forma, o que escrevo é o que se passa em meu coração. Espero que nenhum de vocês que nos visita se enquadre na categoria “bobão”, que busca crescer na Umbanda e quando o faz, menospreza os mais novos ou age deliberadamente para que eles não consigam chegar onde você chegou. Ou ainda mais: não consiga entender ou fique com medo de entender, que outras pessoas possam ter outras idéias que, por ventura, possam ser melhores que as suas. Ou mais corretas. Ou simplesmente idéias novas.

Pensem em seus atos dentro e fora do centro. A vida fica melhor quando todos entendemos que pessoas pensam diferente, e todas as idéias são boas. E todas as pessoas merecem chances, e ninguém é melhor do que ninguém. Que a Umbanda é feita pelos que dão, não pelos que recebem. E feita por aqueles que são humildes, não por “Bobões”.

(http://www.artefolk.com.br/index.php/2011/bobao/)

A Umbanda e Eu

Me lembro de como entortava o nariz para a umbanda antes de conhece-la. Freqüentava a Federação Espírita de São Paulo e por muitas vezes me mandaram começar o curso de mediunidade pois eu ‘precisava trabalhar esse dom’. No final das contas, nunca ia.

Sempre tive fé mas nunca fui de rezar muito. Na minha cabeça, nossas atitudes falam por nós. Conheço tanta gente que reza de manhã, a tarde e a noite, mas não honra uma palavra sequer de suas orações…

Um dia conheci um centro mesa branca perto de casa. Muita gente do bairro freqüentava… Apesar de seguirem o mesmo jeitão da Federação, ao final das palestras e dos passes magnéticos nas salinhas de luz azul, uma das médiuns da casa incorporava uma índia chamada Cheiro de Flor. Eu achava lindo ver aquela entidade dando um brado ao chegar em terra e falar com jeito de índia.. ela passava de pessoa em pessoa, às vezes dizendo algo impactante, às vezes apenas derrubando suas pétalas embelezadas de Tupã.

Ao mesmo tempo, eu nunca aceitei bem a umbanda e o candomblé. A começar que eu colocava tudo no mesmo saco, como muita gente faz. Não entendia e criticava o fato dos guias fumarem. Não entendia guias. Tinha horror aos atabaques. Pois é.

Por duas vezes, movida pela curiosidade fui a tarólogas. Uma delas, me disse coisas que eu não queria ouvir e a taxei de charlatã. A outra queria me cobrar R$ 250 pra acender velas de mel e trazer de volta meu grande amor. Ah, tá.

Um dia, uma amiga me convidou pra conhecer um outro centro dela. Disse que era kardecista. Sem atabaques, mas com alguns médiuns com guias e muitas puxadas de carga. Lá eles disseram muitas coisas que eu queria ouvir…. Ao mesmo tempo, minha mãe, em uma de suas andanças pela Vila, ouviu certo domingo barulho de atabaques. Macumbeira que sempre foi, entrou, gostou e vendo meu sofrimento me arrastou pra lá. Me apaixonei ao ouvir os sons dos atabaques, uma voz maravilhosa de um ogã na curimba e até me esqueci do preconceito que tinha com os cachimbos.

Porém, lá eles não me diziam nada sobre o amor perdido. Mandavam eu cuidar de mim, me fortalecer, crer, etc. Não me diziam nada de extraordinário e eu até achava que eles não diziam nada que eu já não soubesse, mas não concordava. Não era bem o que eu queria ouvir, mas me sentia bem.

Frequentei os dois ao mesmo tempo por algumas semanas, até que o primeiro centro entrou em férias e eu me vi freqüentando apenas a casa que hoje é a minha. Coincidência? Duvido.

Sentava em frente a Vó Augusta e chorava até desidratar a falta daquele que eu achava que era meu único e verdadeiro amor. Um certo Lorinho, atabaqueiro da curimba me dava papel para enxugar as lágrimas. Eu até via a Vó Augusta rindo pro Pai Simão, que sentava perto, mas não entendia. Hoje até entendo. rs….

O tempo foi passando, eu fui melhorando…. Houve uma festa junina beneficente promovida pela casa e lá fui eu, mãe e primos jogar bingo. Ali estreitei os laços com o tal Lorinho, que me comprou do meu primo por dois quentões e uma coxinha (mas isso é outra história)…

Namorar alguém da casa me aproximou mais das pessoas e dos trabalhos, inevitavelmente. Cansei de ‘passar mal’ durante as giras, enquanto espetava minha vez de ser atendida. Sempre quis trabalhar…. achava lindo aquelas pessoas servindo de aparelhos para os guias e fazendo caridade. Achava lindo ver as pessoas saindo mais felizes dos bancados dos pretos-velhos.

Nunca imaginei que os médiuns fossem privilegiados por serem médiuns e sempre achei lindo o ritual e a caridade, e não entendia o porque nunca tinham me chamado pra fazer parte das giras, sabendo que sensibilidade – lógico – eu tinha!

Apesar de parecer metida, sou legal. Eu não entendia como é que os guias não viam toda a minha vontade de ajudar e de fazer o bem pras pessoas….

Quando entendi que mesmo sem querer eu alimentava uma certa vaidade emn relação a mediunidade e ao trabalho (ainda que uma vaidade branca) e passei a trabalhar esse sentimento, quando menos esperava aconteceu.

Fui pra curimba, aproveitar os dotes musicais dados por Deus, para fazer aquela gira ainda mais forte e bonita. Quando me colocaram pra rodar a coisa pegou pro meu lado. Só estando lá no meio é que a gente percebe que não entendia nada de nada, antes. Pelo menos comigo foi assim….

Hoje, alguns meses de trabalho, algumas festas depois, uma quaresma depois, me sinto muito, muito pequena como médium, mas com uma vontade enorme de aprender cada vez mais. Aprender a servir da forma correta os guias. Aprender a ajudar as pessoas pela caridade pura. Aprender o que é ter paciência e aprender o que é crer.

Para se crer, é necessário querer crer, pra começar. O exercício da fé não é fácil. Muitas vezes as aflições da vida, das pequenas as grandes, nos tiram do prumo, nos revoltam… Nossa, como é difícil simplesmente acalmar o coração e deixar as coisas fluírem.

Um terreiro é feito de pessoas e acho normal que hajam discordâncias em alguns momentos. Se a gente fosse tudo santo, eram as nossas imagens que estariam em cima do congá, não as dos orixás. Mas, com todos os problemas que a vida em grupo possa acarretar, o mais importante é ter a certeza de que, quando um precisar, toda uma corrente (encarnada e desencarnada) vai estar lá por nós.

E isso causa inveja. Causa inveja porque a seleção natural da vida expulsa as pessoas que não pertencem realmente ao grupo. E os excluídos desdenham, mas querendo comprar…..

Eu acredito em inveja e em sentimentos negativos. A força do pensamento, para o bem ou para o mal, é uma coisa muito forte. Acredito sim que o ‘Mal’ possa estar por cima da carne seca. Mas só por alguns momentos. Só enquanto a lição não é aprendida por todos. Só enquanto Deus permitir e se Ele permite, é porque tem seus motivos. Isso é fé. Não ‘pollyanismo’, mas fé.

A fé que nos faz ter certeza de que em algumas horas, ao botar o pé pra dentro daquele terreiro, vestidos de branco, alguém maior vai fazer algo por nós e nos aliviar. A fé que nos dá a certeza de que não estamos sozinhos em momento nenhum (dá até medo as vezes, principalmente quando você tem um corredor muito sinistro na sua casa e seus guardiões ficam o tempo todo ali, a postos!).

É a fé que nos faz fincar os pés na areia, mesmo quando o corpo quer ir embora, mesmo quando o corpo está cansado. É a fé que nos faz perdoar em minutos uma resposta mais mal educada de um, ou uma falta de reconhecimento de outro.

É a fé que no faz, no meio da tarde, dirigir um pensamento ao congá pedindo proteção quando algo parece nos ameaçar. É a fé que os faz gastar um dinheirinho que às vezes nem podíamos, pra fazer uma guia, porque assim foi pedido. É a fé que nos faz amar uma pessoa que nem conhecemos direito. É a fé que nos faz nos preocupar com alguém da assistência que vimos mal.

É a fé que nos faz saber quando aquela pessoa na sua frente não é aquele médium que às vezes não temos muita afinidade, mas sim um índio enorme com um arco e uma flecha nas mãos, ou um senhor negro, arqueado, magrinho, fumando cigarro de palha.

É a fé que faz nosso sangue correr nas veias e nosso coração bater forte, quando os poros se abrem, os pelo dos braços arrepiam, a espinha fica gelada e o pescoço quente. Só ela.

E é a fé que me dá a certeza de que com a nossa Lei não há! Porque onde se faz um trabalho sério, com amor e com verdade, a proteção divina age em todos os momentos. E se, em algum momento a fé falha, a bateria acaba, enquanto ela carrega, temos irmãos de fé para nos escorarmos até que a recarga esteja completa.

Avante, filhos de Fé! Com a nossa Lei, não há!

Preparação e dicas para médiuns iniciantes

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Ao chegar no Terreiro para um dia de trabalho, isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos e etc., evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras dos outros. Busque desde a sua chegada entrar em contato com as energias que ali existem e que foram criadas por todos que ali freqüentam.

Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção, observação de seus próprios processos mentais, ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. Cabe ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais. Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas “no ar”; a seu lado; espiritualmente.

Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura em volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações, através de orações por exemplo, apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.

Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo “treinado”, sentindo mais e mais. E veja bem: isso deve ser praticado antes mesmo de se iniciar a gira.

Saber usar a agrégora, energia padrão do Terreiro, com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem, acontece que essa agrégora, sendo forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos vínculos que essa agrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.

Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre “do outro lado” ou mesmo “dar melhores incorporações” porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das seções pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza!

Começando a Seção, mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar o que cada Ponto Cantado diz. Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder. As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, nos induzem a imagens de seres,situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos por nossos amigos e mensageiros, mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos.

Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro:

1º- Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;

2º- Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre ela, seu corpo físico e seu estado psíquico;

3º- Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o fará mais propenso, pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas, menos “sacolejadas”, como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;

4º- Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;

5º- Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo, ainda que não perceba de imediato, para focalizar planos e energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o pouco a pouco com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.

É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará “da noite para o dia” , como se costuma dizer, levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.

A mediunidade de incorporação, talvez seja a forma mais passiva de contato com entidades e energias do Plano Astral porque, nessa técnica, para que a incorporação seja a melhor possível, o médium deve basicamente focalizar sua mente na falange ou entidade que pretende que incorpore e relaxe o máximo possível. Todo o restante é feito pela entidade que chega e vai tomando os pontos a serem comandados: respiração, pernas, braços, mente, voz e outros. Por ser uma forma de contato passiva, o médium tem que confiar em si mesmo e na entidade que se aproxima lhe entregando de corpo e mente.

Com o passar do tempo e o melhoramento da sensibilidade mediúnica, não só o desenvolvedor mas todas as entidades que com você vierem a trabalhar, ao se achegarem emitirão sinais particulares para que você os possa identificar. Por exemplo: algumas entidades chegam cantando seus Pontos ao seu ouvido. Já outras além do Ponto Cantado ou mesmo sem ele, se utilizam de sensações específicas no corpo material do médium e, dessa forma, alguns lhes assobiam no ouvido ou nos ouvidos, outros lhes dobram um certo dedo da mão, outros lhe dão uma pontada em uma outra região do corpo, enfim, se utilizam de sinais que para eles e o médium se tornam característicos de suas presenças. O médium reconhecendo esses sinais característicos, e neles confiando, passa a criar em si condições que propiciem à entidade uma boa incorporação, relaxando e voltando sua atenção totalmente para aquela que se achega.

Você deve saber que médiuns, principalmente os de mediunidade kármica, costumam ter à sua volta um grupamento de espíritos e/ou elementais com os quais já se comprometeu a trabalhar, antes mesmo do reencarne. Acontece que nesses casos, quando o médium, ou está atrasado no cumprimento de seu Karma ou mesmo por ansiedade dessas próprias entidades, ao chegar no Terreiro, é quase que “invadido” por uma ou mais de uma entidade que “quer logo garantir seu lugar”.

Pode parecer brincadeira mas não é! Pode acontecer uma situação dessas, e há vezes em que mais de uma entidade tenta “entrar” na faixa vibratória disponível desse médium ao mesmo tempo. Como nem ele nem essas entidades têm ainda treinamento para fazê-lo, acabam por provocarem esse choque de vibrações com violentos choques na matéria, sacolejos e mesmo os tombos que acontecem, mesmo que você não acredite, de ambos os lados (médium e entidades).

Nesse caso, as entidades praticamente se “trombam” na ânsia de assumirem um lugar ou se definirem como presentes. Pela inexperiência dessas entidades em flexibilizarem seus padrões vibratórios ou a densidade de seus Corpos Astrais, acabam as duas, criando o choque de Auras que além de afetar o médium acaba por afetá-las da mesma forma.

Em casos como esse, cabe ao Dirigente do Terreiro ou ao Chefe Espiritual, a doutrinação dessas entidades no intuito de ensiná-las que não pode ser dessa forma. Claro que médiuns que sofrem esse problema têm que ser melhor assistidos pelo seu Dirigente até que a “demanda” do outro lado se resolva e todos possam chegar em paz.

O problema maior, na maioria dos terreiros, às vezes, está na forma do desenvolvimento das faculdades mediúnicas, pois constantemente vemos vários dirigentes de terreiros induzirem pessoas portadoras de determinados desequilíbrios a desenvolverem sua mediunidade. Esse conselho é muito utilizado por aqueles que não têm um conhecimento estruturado sobre o assunto.

Nesses casos, a prudência aconselha que se faça um tratamento espiritual, com afirmação em valores morais sólidos, afim de o companheiro em questão, possa se fortalecer espiritualmente, pois sua mediunidade guarda a característica de ser atormentada, se encontrando muitas das vezes, obsedado por espíritos que, em alguns casos, querem se vingar de um passado onde tiveram experiências em comum. Sendo assim, não se deve desenvolver algo que esteja enfermo, é preciso reequilibrar suas energias, para depois assumir o compromisso na área mediúnica, se é que este realmente exista.

Outro problema é o costume de alguns dirigentes de terreiro, fazerem uma espécie de preparação com seus “filhos”, raspando-lhes a cabeça ou firmando seu Santo ou seu Orixá regente. Esse costume se reporta mais aos cultos africanos e não propriamente dito a Umbanda. Mas mesmo sabendo disso alguns companheiros, que guardam em seus trabalhos raízes nesses cultos, continuam, algumas vezes, com alguns costumes.

Nós umbandistas devemos reconhecer que a verdadeira preparação para um bom desenvolvimento mediúnico, é a elevação da nossa vida moral, esse sim é um dos valores indispensáveis em qualquer caminho que um filho de Deus se encontre, e que sempre baseados nas Leis da Caridade e do Amor, possamos seguir firmes nos objetivos elevados propostos pelos mentores espirituais da Umbanda.

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, da aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, sempre respeitando os guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dígnos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acabará atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados e que estejam na mesma faixa vibracional que eles.

Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial. As pessoas que são médiuns e tem o trabalho mediúnico como missão, devem levar sempre isso muito a sério, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

Mediunidade é coisa séria e participar de uma corrente mediúnica, mais ainda, é preciso que entendam seus deveres e obrigações e faça cada um a sua parte, e que sejamos consientes de que nem todos somos médiuns de incorporação, e não é porque não estamos trabalhando incorporados que não devemos ser atentos aos deveres que nos competem.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus Orixás e Guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Bem, acreditamos que você agora já tenha uma idéia mais clara do que é e como funciona a mediunidade, e passa também ver como é importante que você faça a sua parte, buscando a cada dia, a cada seção, a cada aprendizado melhorar sua ligação vibracional com o mundo astral.

Um Médium Iniciante

http://povodearuanda.wordpress.com/2008/07/18/um-medium-iniciante/

Um médium iniciante, foi falar com o Dirigente do terreiro, estava ansioso em saber algumas coisas:

Pai preciso saber urgente quem são meus Orixás, e com quais entidades vou trabalhar ?

E por que esta pressa meu filho? – Respondeu o dirigente.

È que tenho amigos em outro terreiro e quando souberam que eu estava freqüentando a Umbanda, me fizeram estas perguntas e eu não soube responder.

Vou te ensinar a resposta, quando te perguntarem novamente responda:

“Sou filho do Orixá Humildade e do Orixá Caridade, as entidades com as quais vou trabalhar são Fé, Amor, Paciência, Perseverança.”

O médium ficou olhando sem entender as palavras do dirigente que continuou:

Na Umbanda não temos de nos preocupar quem são nossos Orixás, temos o dever de cultuar a todos com a mesma fé e amor, de nossas entidades o que menos vai importar é seu nome, devemos sim nos preocupar em ajudá-las a transmitir àqueles que os procurarem as energias positivas e a paz que procuram.

Vaidade x Humildade

Irmãos, combatamos a vaidade que dissipa o verdadeiro significado de Nossa religião, corrompendo-nos muitas vezes sem percebermos. Vejo por aí muitos médiuns, achando que por serem umbandistas, se tornam inatingíveis e invulneráveis. Que nada poderá afetá-los e que mal algum acometê-los-á.

Ponhamos as mãos em nossa consciência e entendamos de uma vez por todas, que somos instrumentos de Deus (Zambi). Responsáveis por cumprir uma missão, um compromisso que fizemos antes de encarnamos aqui na terra. Não devemos nos vangloriar desta obrigação, pois não somos melhores do que ninguém por sermos médiuns.

Há outros médiuns que vacilam em achar que seu caboclo é melhor do que outros por ter maior poder, ou possui maiores poderes.

Alguns médiuns passam até a frente de suas entidades sem perceberem, por causa de suas vãs vaidades. Apegam-se aos nomes de suas entidades e os proferem com orgulho para todos como se ter um Caboclo “Cobra Coral” fosse, ter a maior de todas entidades. Lembremos que o nome ao qual as entidades se apresentam são formas de evidenciar humildade, sem manifestarem nomes pomposos.

Ponderemos mais este ponto irmãos. Atentamos a este fato terrível, que destrói a imagem de nossa religião. Doutrinemo-nos e eduquemos-nos.

Conhecendo seu Guia na Umbanda

(http://cantodoaprendiz.wordpress.com/2009/04/17/conhecendo-seu-guia-na-umbanda/)

É muito comum no inicio das incorporações, quando a gente está ansioso, com medo , curioso e inseguro para saber quem são nossas entidades, como trabalharam, nomes, etc… Todos nós médiuns já passamos por isso…..Quando há as incorporações o médium fica mais que atento a qualquer palavra que saia de sua boca “se eu falando ou a entidades, o que vai acontecer agora, o que ele tá fazendo” ….. tudo isso faz parte do ínicio, pois ser consciente é perfeitamente normal e não é sinal de “falta de firmeza, ou imaturidade nas incorporações, ou fraqueza do médium.E é nessa fase onde o médium atua muito junto com a entidade, por sua participação , ‘interatividade” que é peculiar nesse ínicio, ocorre maior incidência de uma interferência do médium , sobrepondo a da entidade.

Porém, com o passar do tempo, o médium vai ganhando confiança, vai aprendendo a ficar mais alheio das manifestações da entidades, pois para ele não terá mais mistérios e se reservará da total abstenção de qualquer tipo de interferência, inclusive de sua própria opinião do que a entidade deveria agir, falar ou conduzir numa consulta.

Muitas pessoas desistem no inicio, por não aceitar sua consciência e não conseguir trabalhar psicologicamente essa questão e achar que é ele ali e não a entidade. De não insistir e entender que as incorporações vão se firmando com o tempo. Pois nossa forma de trabalhar mediúnicamente é muitíssimo diferente de Candomblé e Espíritismo. E para a Umbanda a afinidade e sintônia nas incorporações é de fato, mais demorada. E nesse processo de ajustes, equalizações e estabelecer uma sintonia satisfatória , o médium deve entender que haverá sim erros, o seu sobrepor a propria entidade, o animismo, porque faz parte desses ajustes. Por isso o médium não deve ser pemitido ao estarem sob influência das entidades; beber, fumar e principalmente, dar consultas e atender o público, quando essa sintonia não se estabelecer de fato, avaliado pelo dirigente e guias chefes da casa.

Nao é que não podem ….. é normal as entidades não darem nomes de suas falanges no ínicio, pois o médium ainda não está preparado mediúnicamente falando … demora-se um tempo para estabelecer uma sincrônia entre a faixa vibratória da entidade com a do medium e somente quando houver harmonia, e com menos risco de animismos por parte do médium, é que elas trazem sua falange.

Antes de tudo cada guia que incorpora é único, cada um é um espírito em particular, com seu jeito de agir e pensar. O nome de que se utilizam é apenas um indicativo da forma que trabalham de sua linha e irradiação. Por isso podemos ter vários espíritos trabalhando com o mesmo nome, sem que sejam por isso um só espírito.
É como ser um médico, engenheiro, etc… Todos possuem um conhecimento comum, além do conhecimento individual. E isso faz com que trabalhem de forma diferente, mas seguindo a mesma linha geral. A mesma coisa acontece com nossos guias, então é comum escutar:
– Como é o Caboclo X?
– Me conte a estória do Preto Velho Y
– Como é o ponto riscado do Exú Z?

Isso pode ocasionar vários promelhas no início do desenvolvimento, o médium lê uma descrição de que o Caboclo Y fuma. E ele fica com “isso” na cabeça, assim que chega no momento de trabalhar com o seu guia o Caboclo Y (também) ele pede um charuto, e aparti daí fica mais difícil de romper essa barreira anímica criada pelo médium.

Ou então o médium lê que o Exu Z quando incorpora ajoelha no chão, aí pensa, “nossa o que eu incorporo não ajoelha!!!” e começa a se sentir inseguro quanto a manifestação do seu guia, podendo com isso atrapalhar o seu desenvolvimento.

Pra resumir, a melhor forma de conhecer seu guia e através do tempo, do desenvolvimento e do trabalho com ele, assim pouco a pouco você vai se interando de como ele é, como gosta de trabalhar, etc.

Rirado do texto de A. Araújo