Seria meio feriado…

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Minha vida. Minha história. Meu amor.

Acordei hoje de manhã e sentia a mesma dor que senti há alguns anos, quando acabou meu último namoro. Sério. Aquele gosto de cabo de guarda chuva, os olhos ardendo de quem parece que não dormiu nada e um oco no peito. Peito doendo. Fisicamente.

Mas, se tem alguma coisa que a fim daquela relação me ensinou é que a dor passa e que um novo (e muito melhor) amor sempre vem…. Por isso, depois de digerir as provocações dos bambis pé no saco (pelonasmo) e depois de ler alguns textos espalhados pela web aí… o que resume ser Corinthias: “E se perder de novo, iremos mais uma vez. Porque só perde quem joga, quem acredita.”

Porque ser corinthiano

(Por Leonor Macedo)

Dizem que paixão passa de pai para filho. No meu caso, não foi assim. Primeiro porque não sou filho, sou filha. Segundo, porque meu pai era São-Paulino, daqueles que não gostavam muito de futebol, mas, para agradar meu avô, defendia o vermelho, preto e branco.

Minha mãe sempre foi Corinthiana. Filha de pai espanhol que detestava futebol (para ele eram 22 idiotas correndo atrás de uma bola), e mãe religiosa, desenvolveu por si só o gosto pela “coisa”. Gene dominante (Corinthiano) e dominado (são-paulino), aqui estou eu. Só podia dar nisso: fanatismo.

Os santistas são filhos de santistas, os palmeirenses vêm de família italiana e os são-paulinos têm distúrbios hormonais. Conheço muitos Corinthianos que são filhos de palmeirenses, irmãos de são-paulinos e netos de santistas.

Não existe uma explicação para tornar-se Corinthiano. Acredito na doutrina espírita que diz sobre evolução do espírito, de encarnação para encarnação. Deve ser isso, uma alma nunca regride, sempre evolui. Depois de passar por várias vidas, todos se tornam Corinthianos.

Um espírito pode evoluir em vida, corrigir erros do passado. Basta mostrar a pessoa que ela está errada. O erro é reversível. Como no caso do meu pai. Pergunte a ele o que é hoje. Descobriu o amor ao futebol e… passou a ser Corinthiano. Mas, seu gene dominado e o gene espanhol de minha mãe, fizeram um mal tremendo a meu irmão. Ele odeia futebol. Partilha da mesma opinião espanhola do meu avô. Prefiro que não torça pra ninguém a torcer por outro time.

Corinthiano fanático é pleonasmo. O Corinthians é assim: ou se ama, ou se odeia. Ele sempre desperta nas pessoas algum sentimento. Incomoda. Entra cutucando. Machucando. Deixando feridas que não cicatrizam. É por isso que tem tanto anti-Corinthiano.

É fácil reconhecer um anti-Corinthiano. Sempre cabisbaixo, olhar triste, rancoroso e magoado, é o tipo mais invejoso que existe. Odeia a felicidade alheia. E, como todo Corinthiano é muito feliz, ele é anti. Não é anti-Corinthians, é antitorcedor do Timão. Não agüentam ver nosso sorriso todos os dias.

É muito mais fácil reconhecer um Corinthiano. Apaixonado, obstinado, esbanja alegria por onde passa. Capaz de qualquer coisa por aquilo que acredita. “Na vitória ou na derrota eu grito forte: Corinthiano eu serei até a morte.”

Ser Corinthiano é mais do que isso. É roer unhas, dedos e cotovelos quando o Timão joga, mesmo que esteja ganhando de 10 a zero. É vibrar cada segundo, aplaudir cada jogada, enfrentar horas de chuva, de frio e de calor, para ver o Corinthians jogar na quarta-feira à noite, em Xiririca da Serra, contra o XV de Piri-Piri. É mentir para o patrão, “matar” mãe, avó e tia toda semana para não perder o emprego. Deixar de entregar trabalho na faculdade e não ser reconhecido pela professora de quarta-feira porque você só assistiu uma aula dela durante todo ano para ver o Timão jogar. Pular a janela, ficar de castigo sem balada sábado a noite, porque mentiu para mãe dizendo que ia bater uma bolinha com os amigos e embarcou com os Gaviões para o Couto Pereira e só chegou em casa de madrugada. Juntar cada centavo para comprar a nova camisa que chega a custar ¼ do salário.

É reconhecer que é sofredor. Todo Corinthiano é sofredor sim, porque a gente sente na pele, como uma faca entrando no peito e rasgando o coração, cada jogada errada, cada passe mal dado, cada bola fora do gol, cada gol tomado, cada cartão amarelo, vermelho, derrota, escanteio, lateral, falta. Por cada jogador bom que é vendido, ou aquele que não dá certo, que não joga nada, que só quer dinheiro. A gente sofre com os mercenários que vem e que vão, cartolas, preço de ingresso, tabela mal feita, adversários fracos. Tudo isso maltrata o Corinthiano porque nós amamos o futebol.

Torcer para o Corinthians é como um casamento para vida toda. É dormir e acordar pensando nele, é contar da má fase para os amigos e da boa fase para os inimigos.
Saber que namorar são-paulino, palmeirense, santista ou qualquer torcedor de outro time, nunca dará certo. Porque Corinthiano está mais no Pacaembu do que em casa, está mais no Morumbi do que na escola, está mais no Canindé do que no bar, está mais na Vila do que na padaria.

Não adianta reclamar. Casou com Corinthiano, tem que saber que é rotina de médico. É plantão de sábado e domingo. Não conseguir dormir a noite de preocupação quando o Timão está mal. Diferença de médico e Corinthiano é que a gente se envolve com o paciente.

Mais fácil do que reconhecer é encontrar Corinthiano. Ele está em todos os lugares. Nas favelas, nos bairros chiques, de calça bege e de farda, de fusca e de carro importado, com oito ou com oitenta anos, no Japão, na Antártida, no Acre.

Corinthians não é para qualquer um, não é moda. Só nasce no coração dos humildes e daqueles que estão preparados para abrigar um amor de mãe. Amor maior que o peito, orgulho de ser e assumir aquilo que é sob qualquer circunstância.

Muitos não estão preparados para isso. Basta apenas paciência, treino, humildade para reconhecer os erros e, talvez, nascer mais muitas e muitas vezes. Só quem é Corinthiano sabe do que estou falando.